Aula 01 - Beatriz
Colegas, como muitos aqui atuam em universidades, gostaria da opinião de vocês.
Há uma forte crítica a entrada do gerencialismo na gestão universitária que defende que todas as organizações precisam ser eficientes, eficazes e avaliadas constantemente.
Para alguns autores, o trabalho de pesquisa e escrita é algo muito artesanal e não se encaixa na lógica fordista ou toyotista. O que vemos hoje nas universidades são professores cobrados pela quantidade de suas pesquisas e não pela qualidade, e os estudantes saindo da posição de aluno para cliente, que é a subversão da lógica de ensino-aprendizagem pela lógica do consumo-satisfação.
Para mim, as universidades não podem retornar ao antigo formato, onde as academias eram quase “feudos” longe da sociedade. A divulgação científica e a gestão da universidade é muito importante ao considerar esse ambiente como uma organização. Na visão de vocês, qual seria o caminho mais adequado para uma gestão universitária que considerasse a especifidade do que é feito, mas que também levasse em conta sua característica organizacional? E claro, na visão de vocês isso seria possível?
Beatriz,
ResponderExcluirMuito pertinente a questão colocada.
Em minha visão, as Academias Brasileiras já vivem uma "posição feudal", muito bem controlada pelos que estão nos cargos de gestão. Noto, muitas vezes, que há um corporativimos muito forte que impede que a sociedade possa colocar novas necessidades apresentadas mas que vão de encontro ao status quo já estabelecido.
A forma gerencial de administração é uma forte realidade de todo o mercado privado, inclusive no ensino, menos nas instituições de ensino público. Entendemos o papel da academia na defesa de direitos e formação dos cidadãos, mas a extrema rigidez está a caminho de produzir pensadores distantes da realidade do mercado/mundo circundante.
Beatriz, tendo a concordar com o Makário, não vejo muitos avanços na gestão das Universidade públicas Brasileiras, que possuem fortes traços de corporativismo, isolamento e aspectos burocráticos negativos.
ResponderExcluirAcredito que não é possível optar por uma ou outra forma de gestão pura, mas analisar caso a caso as ações tomadas. O norte a ser seguido deveria ser o preparo dos alunos como cidadãos e para o mercado de trabalho, e o conhecimento com impacto real na sociedade. Realmente não vejo sentido em se cobrar por quantidade de artigos e não por qualidade, e não existir praticamente nenhum retorno para o professor em relação ao trabalho executado em sala de aula, na prática, geralmente sequer existe alguma pesquisa com os alunos sobre a qualidade das aulas.
Oi Beatriz,
ResponderExcluirCreio que o gerencialismo está se instalando em todas as instituições públicas, ‘transformando-as’ em empresas que devem gerar resultados, que, neste caso, é atender aos interesses públicos. As universidades ainda tem muita burocracia em sua estrutura, o que pode gerar a sensação de ineficiência no público e comprometer a imagem da instituição. Nesse sentido, penso que as universidades públicas devem refletir sobre o forte corporativismo existente e sobre a grande quantidade de regras e de processos muito rígidos. Apesar de não podermos usar na totalidade as regras das faculdades privadas nas públicas, penso que um caminho é flexibilizar um pouco, estar aberto a mudanças, a alterações no mercado, acompanhar o modelo das instituições privadas no que for possível com as adequações ao perfil público, como empresas que não visam o lucro, mas talvez o não-desperdício ou economia, com a eficiente aplicação do dinheiro, o bom atendimento ao cliente-aluno, com bons resultados na formação deles. Penso ser necessário incentivar pesquisa e o estudo de qualidade, apesar de saber que é muito difícil com dinheiro e tempo cada dia mais escasso. Uma grande diferença entre setor público e privado também é o incentivo que um e outro tem. Nesse nosso caso, caberia ao governo incentivar tanto alunos como professores, com boas condições de estudo e bons salários e prestar contas do que é gasto com isso. E por que não, também, depois cobrar uma contrapartida de seus cidadãos bem formados com seus recursos?
Beatriz, seu questionamento é bem adequado, principalmente porque podemos presenciar a mecanização da produção de artigos científicos, sendo algo bastante palpável. Minha visão é a de que, assim como os demais órgãos da administração pública, as universidades necessitam de reformulação. Não vejo sentido em correlacionar a qualidade de um educador ou de um aluno com base na quantidade de artigos publicados, até porque há outras modos de propagação do conhecimento. A baixa qualidade do material produzido pode ocorrer pois há a exigência da produção de materiais. A partir do momento em que não há exigência, os trabalhos serão produzidos por quem realmente se interessa em produzir conhecimento.
ResponderExcluirOi Beatriz.
ResponderExcluirRealmente o que acontece hoje é a cobrança de números e não qualidade, e isso vem "de cima". A própria CAPES cobra por isso e os rankings universitários colocam um grande peso nessa questão.
Respondendo a pergunta, vejo que precisamos de um modelo mais flexível, pois as instituições de ensino públicas possuem outra realidade. A gestão da organização deve estar de acordo com aquilo que ela é e onde ela quer chegar (missão e visão). Além disso, concordo com os colegas que temos que manter a universidade mais próxima da sociedade como um todo e que os alunos devem ser melhor preparados para o mercado de trabalho.