Aula 01 - Daniel Stone
Apesar de os colegas Eduardo e outros terem abordado o tema da organização baseada a teoria burocrática de Max Weber e também sobre a administração pública, gostaria de trabalhar o tema com outra visão: Existe a possibilidade de aplicar-se outra teoria na administração pública?
Sendo pragmático, eu, como funcionário público, não quero ser tratado de maneira desigual ao colega de profissão, principalmente se temos a mesma função e, portanto, a burocracia tem que ser aplicada para que sejamos tratados exatamente da mesma maneira. Isso inviabiliza a delegação de poderes a chefias imediatas, que poderiam organizar seus setores de modo diferente, onde o funcionário de outro setor se sentisse prejudicado (exemplos: horários flexíveis, pausas, lanches, forma de atendimento, etc).
Como cidadão, eu jamais aceitaria ter um atendimento desigual nos órgãos do governo, quero o atendimento tão “bom” quanto recebi em outro órgão ou que outro cidadão tenha recebido, ou seja, novamente a burocracia para “padronizar” o serviço. Se alguém organiza seu setor de modo diferente, um cidadão pode sentir que esta recebendo um atendimento pior que o recebido por outro em outra localidade.
Como pagamos impostos, em teoria, todos devem ter exatamente a mesma "qualidade" de atendimento do Governo. Qual seria outra teoria que poderia disponibilizar isso sem que um cidadão ou funcionário se sinta prejudicado? Ou será que a aplicação da teoria burocrática não está sendo empregada de maneira correta?
Olá Daniel,
ResponderExcluirAcredito que não se aplica uma única teoria atualmente ao se administrar uma empresa ou órgão público. Todas as teorias possuem pontos positivos e pontos negativos. Ao meu ver, o problema é a má aplicação de alguns aspectos da teoria de Weber, as chamadas disfunções burocráticas, que englobam processo decisório lento e engessado, apego excessivo a regras, e controle do processo e não de resultado, infelizmente, uma realidade na maior parte do serviço público. Se outra teoria fosse utilizada com maior projeção, não acarretaria em perda dos pontos positivos trazidos pela teoria burocrática, os quais você destacou.
Oi Daniel! Achei o Paulo apontar que não se aplicaria uma só teoria isoladamente. Parece fazer sentido ao passo em que a organização vá evoluindo, bem como as teorias administrativas. Nesse sentido, dado tamanho e características da Administração Pública, creio que seja possível/desejável que se implemente algum tipo de "reforma administrativa" para modernização do Estado (tendo atenção que não necessariamente tenha o teor da proposta de reforma que atualmente encontra-se em discussão no país). Poderiam ser inseridos aspectos / ferramentas para implementação das filosofias enxuta e ágil, por exemplo. Quem sabe isso pudesse trazer maior grau de adaptabilidade e eficiência para a máquina pública.
ResponderExcluirOlá Daniel!
ResponderExcluirAs empresas mudam continuamente e o mercado também, então, dependendo do momento que se está vivendo, cabem aspectos de mais teorias em conjunto, eu acho. E hoje, as empresas públicas já adotam práticas das empresas privadas, como preocupação em bem atender aos clientes. A burocracia tem bons aspectos e apesar de suas vantagens, suas disfunções ficaram bem acentuadas no funcionalismo público, até mesmo, estigmatizando-o. Creio que pode ser delegado poder a chefias imediatas sem que isso seja causa de desconforto entre funcionários, basta que haja um padrão de normas a serem seguidas por todos os setores em relação a regalias, não há necessidade de se aplicar a burocracia pura e simples. A padronização da burocracia nem sempre pode ser eficiente, porque as necessidades de um cliente não é a de outro, neste caso, pode-se aplicar os conceitos das teorias que tem foco nas pessoas. O padrão com que me atendem pode não satisfazer você, quando forem te atender. A parametrização desta qualidade, eu penso que depende de cada serviço, da medição dos indicadores para cada tipo de atividade. Acho que para prestar serviços de qualidade, cada órgão deve fazer um diagnóstico da situação em que se encontra, dos objetivos que quer alcançar, aplicar algumas das teorias para levar a empresa ao sucesso.
Acho que o Estado está caminhando para a melhoria dos serviços em seus órgãos, com observância de critérios mais rigorosos nestas questões de qualidade.
Oi Daniel. Tendo a concordar com os colegas, na medida que o ambiente muda a organização vai mudando também. Sendo assim, precisamos de um modelo híbrido, aplicando pontos de uma teoria e de outra. Claro que a padronização de atendimento e tratamento de clientes e colegas é importante, a formalização também, mas o excesso de formalismo e controle acaba deixando de lado os resultados, o que leva às disfunções da teoria burocrática, por exemplo. Vejo que o serviço público está sim melhorando, mas ainda temos um caminho pela frente.
ResponderExcluirDaniel, o problema é que o que chamamos de "burocracia" nada tem a ver com o modelo burocrático de Weber, pelo contrário, trata-se de uma deturpação das raízes dos ideais burocráticos. A própria cultura brasileira de tirar proveito das situações acaba gerando a produção de grandes quantidades de regras para que a administração pública funcione da maneira correta. O modelo de Weber buscava a aplicação de um modelo racional e justo, sem espaço para pessoalidades. Burocracia não deve ser entendida como lentidão. Em minha visão, a burocracia, caso aplicada de maneira correta, teria muito a contribuir com a administração pública brasileira.
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