Aula 01 - Paulo Morgensztern

 

Olá colegas, gostaria de saber a opinião de vocês sobre a aplicabilidade da Teoria dos Sistemas na administração pública.

Teoria dos Sistemas, do biólogo Ludwig Von Bertalanffy, se baseia na ideia de que as organizações são sistemas abertos, em constante relação com o ambiente externo. O que ocorre fora da organização, portanto, irá afetá-la. Logo, o bom gestor deve conhecer bem os concorrentes, clientes e demais fatores que possam afetar a realidade da empresa, ou seja, possuir uma visão abrangente sobre o cenário externo e interno. Adota-se como premissas nessa teoria: que o sistema é um todo que busca equilíbrio (Homeostase), cujas mudanças em uma das partes afetará as outras (Holismo), que a soma das partes desse sistema produz um resultado maior do que elas (Sinergia), e que existem diversas formas de se chegar a um objetivo (Equifinalidade).

            Muitas vezes o serviço público é visto como uma ilha isolada, voltada para dentro. Um dos grandes desafios da administração pública é a efetividade, ou seja, realizar ações que impactem de forma efetiva a sociedade, e não apenas atenda aos seus próprios desígnios. Vocês acreditam que a Teoria dos Sistemas é empregada em seus locais de trabalho e na administração pública brasileira como um todo? Justifique quais aspectos são ou poderiam ser empregados e que contribuem ou contribuiriam com a melhora de resultados.

Comentários

  1. Olá, Paulo, vamos lá.

    Acredito que a Teoria dos Sistemas, no serviço público, ainda é uma meta a ser atingida, e não está muito perto disso acontecer. Falo assim pois não acho que o cidadão tem sido tratado como cliente e assim, a administração pública tem dificuldade em atender sua missão principal (no cenário ideal): os requisitos desse cliente.

    Ao adotar a essa teoria, os agentes públicos bem como a sociedade deveriam estar em uma sinergia equilibrada (como você falou em seu texto), e acho que isso seria visto com uma "via de mão dupla", em que de um lado teria a população: pagando imposto; usando o serviço e exigindo melhora e de outro a administração pública: usando o imposto arrecadado; prestando o serviço e tentando atingir as metas estabelecidas para melhora da prestação do referido trabalho.

    Parece-me que essa sinergia ainda não está sendo realizada em sua plenitude. Algumas partes estão sendo feitas (recolhimento dos impostos, prestação do serviço), mas outras não: a cobrança da população; a busca pelas metas pelo serviço público são exemplos que até têm aumentado nos últimos tempos, mas não como deveria.

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  2. Paulo, vejo que há órgãos e órgãos dentro da administração pública e toda essa fragmentação faz com que a gente não perceba as exceções, mas com toda certeza e infelizmente, a regra é que de fato, as organizações públicas se comportem como pequenos "feudos" voltadas para si mesmas. Nesse caminho, quem sai perdendo é a sociedade que lida com um disparate enorme entre o serviço oferecido pela iniciativa privada versus iniciativa pública.
    Para além disso, acredito que a própria administração e seus servidores são prejudicados, visto que perdem a oportunidade de desenvolver e aplicar melhorias que possam facilitar o seu próprio dia a dia, além de colaborar na evolução profissional e pessoal de cada servidor.
    Me questiono se a adesão a uma teoria como essa não acontece por falta de oportunidade de ser aplicada ou de fato, por falta de interesse em eliminar os problemas e melhorar a gestão da administração pública.

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  3. Olá Paulo, questão muito pertinente, concordo que a administração pública está muito isolada da sociedade, até mesmo dentro dos órgãos existam "ilhas", no meu caso por exemplo, tenho a impressão que existem diversas "UFG dentro da UFG", existindo uma diferença significativa na forma de atendimento, a depender do local que você vai.
    Neste contexto, respondendo sua pergunta, sinto que a Teoria dos Sistemas é empregada de forma fragmentada, como no momento atual de pandemia, algumas áreas da UFG iniciaram vários projetos de integração com a sociedade, produzindo máscaras; realizando testes para COVID-19, realizando campanhas de arrecadação de alimentos e computadores para estudantes carentes... já outras, simplesmente não temos notícia. Acredito que isto também se reflita em diversos outros órgãos da administração pública. Falta uma maior transparência das boas ações, o que ao meu ver, poderia impulsionar diversas outras, e quem sabe aproximar a administração e a sociedade.

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  4. Olá Paulo!
    A aplicabilidade da Teoria dos Sistemas na administração pública reside no fato de que atualmente as empresas públicas, apesar de não terem especificamente concorrentes, não visarem lucro, conhecem seus clientes e devem, em parte, ser consideradas empresas. As pessoas, ‘clientes’ em empresas privadas, ‘usuários’ no serviço público estão mais cientes dos direitos que possuem de serem bem atendidas ao pagarem em dia seus impostos.
    Apesar da tentativa de aplicar os conceitos da administração para os órgãos públicos, estes ainda não tem muita facilidade em observar o que acontece no ambiente externo, e monitorar os eventos para que não sejam tão afetados por eles, prova disso são as dificuldades que aconteceram por causa dessa pandemia pela qual estamos passando. Penso que nas instituições ainda não há essa sensação de que se faz parte de um sistema, onde uma mudança ali, vai afetar o meu órgão aqui. Isto ainda é muito incipiente. A grande diferença, a meu ver, entre o setor público e o privado, para que o setor público aplique os conceitos administrativos direcionados a resultados efetivos, é a falta de concorrência e de visar lucro. Os bancos públicos, por exemplo, em muitos aspectos concorrem de igual pra igual com os bancos privados e, portanto, estão constantemente monitorando a concorrência, clientes, fornecedores, de olho no mercado, nas mudanças globais, inovações. Importante para a empresa do setor público que não visa lucro é entender que seu cliente, merecedor de bons resultados é o contribuinte, que necessita dos seus problemas resolvidos, serviços prestados.

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  5. Boa noite, Paulo! Em meu órgão público há grande contradição em relação à teoria dos sistemas. Ao mesmo tempo que decisões internas impactam profundamente a sociedade, diversas outras decisões são tomadas de maneira arbitrária e sem nenhum propósito social. Alguns dos problemas encontrados já foram apresentados à turma recentemente e dizem respeito à grande quantidade de leis sem nenhum benefício social. Outro ponto gritante que percebo é o uso irresponsável das verbas públicas, como se não houvesse a necessidade de prestar contas à sociedade. Creio que a solução passa muito por uma mudança cultural: quantos de nós gastam tempo checando contas públicas ou o que vem sendo feito nos canais de transparência? Caso a população realmente fiscalizasse e cobrasse mudanças, as atitudes tomadas pelos gestores públicos seriam bem mais cautelosas.

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