Aula 2 - Beatriz
Colegas,
Escrivão Filho caracteriza dois desenhos estruturais básicos: o desenho estrutural mecanístico e o desenho estrutural orgânico. O desenho estrutural mecanístico é percebido como centralizador, com ampla divisão do trabalho, com um sistema rígido de controle, com ênfase nos procedimentos e forte presença da autoridade hierárquica. Esse tipo de desenho é fortemente visto nas organizações públicas.
Já o desenho estrutural orgânico é facilmente visualizado em organizações do estilo startups, visto que há uma forte descentralização das decisões, valorização do trabalho coletivo e do comportamento empreendedor o que provoca uma hierarquia e definição de cargos altamente flexível, com ênfase no comprometimento pessoal de cada empregado e nas relações humanas.
Muito se discute hoje sobre a eficiência do serviço público brasileiro. Ao analisar os órgãos pela perspectiva dos desenhos estruturais, percebe-se que a possível criação de um desenho estrutural mais aberto, que se adapte ao ambiente (visto que se o comportamento do cidadão mudou e com isso, os órgãos deveriam mudar também) deveria ser considerada.
A pandemia de COVID-19 escancarou isso e muitas mudanças que não eram concebidas antes do setor público estão acontecendo para o "bem" e para o "mal". Na visão de vocês, o que esse contexto atual pode alterar ou deixar como legado nos desenhos estruturais das organizações públicas brasileiras?
Olá Beatriz! Vejo que as organizações públicas já estavam mudando, algumas caraterísticas do desenho orgânica estavam florescendo, e já estavam tentando se aproximar mais das pessoas (clientes/usuários) e se adequar ao ambiente (pois esse está em constante e rápida mudança). Com a pandemia de COVID-19 realmente as coisas se aceleraram. Na UFG, por exemplo, foi implantado o trabalho remoto, algo que em tempos "normais" não era nem cogitado. Hoje, após 6 meses de trabalho remoto em muitos órgãos públicos, alguns já estão implantando essa mudança para além da pandemia, pois conseguiram enxergar os benefícios, principalmente a economia no dinheiro público.
ResponderExcluirOi Beatriz, a pandemia de COVID-19 com toda certeza deu uma "sacudida" nos modelos tradicionais de estrutura organizacional, as organizações tiveram que se adaptar para dar continuidade na entrega de seus serviços, sejam públicas ou privadas. Com a necessidade de isolamento social e a popularização da internet, temos a possibilidade de aproximação entre cidadãos e gestores públicas por meio dos espaços de participação eletrônica. Acredito que as novas estruturas devem considerar a inserção massiva das tecnologias da informação e comunicação, que impactam diretamente na vida contemporânea para aperfeiçoar as políticas públicas e a aplicação dos recursos públicos.
ResponderExcluirOnde trabalho, por exemplo, conseguimos manter o nível de produtividade mesmo tendo uma redução drástica nos gastos, então, certamente manteremos uma maior flexibilidade na estrutura da organização.
Beatriz,
ResponderExcluirVejo que com esse cenário pandêmico, as organizações públicas foram "forçadas" a aderir a formas mais modernas de trabalho, como o Home Office. Dessa forma, observei que as estruturas hierárquicas e departamentalizadas mostram as suas fragilidades perante ao novo contexto. Hoje os servidores são gerenciados de acordo com a produtividade, já que o monitoramento do tipo "olho do chefe" não é possível. Os processos também se tornaram mais claros, pois as pessoas precisam tramitar o fluxo de trabalho de maneira remota, demandando um estrutura que priorize o fluxo de trabalho/processo,
Olá Beatriz, mesmo antes da covid, vejo que a forma de gestão nas instituições públicas já estava mudando para um perspectiva mais orgânica. Só que a passos de tartaruga. Demoramos muito para buscarmos uma maior eficiência. Apesar do quadro de pessoas capacitadas que temos nos órgãos, a visão tradicional de que um sistema rígido e centralizados impõe "respeito" aos subordinados ainda é mais forte. Com relação ao problema da pandemia, posso até lhe dar um bom exemplo. No casa das contratações públicas, o governo federal analisando o cenário mundial, aprovou a lei 13.979/20 (conhecida como lei do Coronavírus) para atuarmos com mais flexibilidade e rapidez - o que vem a ser um desafio na realidade brasileira tão conhecida pela baixa resolutividade e propensão ao burocratismo. Houve uma maior agilidade nas aquisições publicas, mas também infelizmente veio junto casos absurdos de corrupção... No final vejo que tudo tem que estar bem interligados (o modelo e as pessoas)... Um abraço!
ResponderExcluirComentado por Luiz Leonardo Oliveira da Paixão.
ResponderExcluirOpa, Beatriz.
Então, a sua reflexão é bastante pertinente. O sistema orgânico é bem diferente do mecanístico e sim, nas organizações do serviço público este último é o mais presente. Creio que isso acontece pelo histórico de distanciamento entre o usuário do serviço e o prestador. Mas como dito pelos colegas e por você, a pandemia do COVID deu uma mexida nas estruturas, e creio que para melhor, na maioria dos casos.
O trabalho remoto é um exemplo, mas não basta. Diminuir os entraves causados pela burocracia excessiva, aumentar a transparência, criar um reconhecimento pelo desempenho do serviço, creio que são exemplos de situações a serem abordadas pelos gestores públicos. Acho que iniciou-se um novo pensamento à respeito do desempenho do serviço público, mas que não deve ser rápido essa transformação.