Aula 04 - Daniel Stone

 

Gareth Morgan, em seu livro “Imagens da Organização”, quando se utiliza da metáfora de máquinas no capítulo 2 para se referir as organizações, fala que as organizações planejadas e gerenciadas como máquinas são consideradas organizações burocráticas, que operam eficientemente, de maneira confiável e previsível, seguindo uma rotina bem definida.

Sua metáfora também abrange as teorias clássicas e científicas da administração, onde a alta eficiência das organizações é alcançada através da transformação do capital humano em autômatos.

Algumas organizações atingem um grande sucesso neste modelo mas possuem dificuldades para se adaptarem a novos desafios por não terem rotinas definidas, ou seja, se fugir do planejado, não conseguem se adaptar e, por muitas vezes, simplesmente ignoram o problema.

Esse modelo de funcionamento pode levar as pessoas a cometerem erros deliberados sobre o pretexto de estarem seguindo ordens superiores ou de se recusarem a fazer algo por não ser sua atribuição.

Apesar de ser considerado eficiente quando bem executado, temos o problema da transformação do capital humano em robôs, sem liberdade criativa, treinados para executar uma única tarefa. Sendo assim, vocês acreditam que ainda exista resistência no serviço público dos funcionários para saírem deste sistema burocrático e mecânico? O motivo seria por estarem acostumados a não precisar de pensar e somente seguir um roteiro e dizer que é ordem superior, sem se responsabilizar por nada?

Comentários

  1. Daniel, o modelo mecanicista é importante para aquelas organizações com tarefas claras, ambiente estável e previsível e que produzam por exemplo os mesmos produtos. Mas mesmo assim para que essa organização se sobressaia ela precisa buscar mudanças e inovações.

    No serviço público não é diferente, precisamos buscar inovações e mudanças visando atender melhor o público, porém ainda existe resistência por parte de alguns funcionários. Talvez seja sim por estarem acostumados a seguir aquele roteiro e não querer sair da sua zona de conforto, outro motivo pode ser também o medo de não conseguir acompanhar as mudanças e ser mal visto e criticado, vejo isso com pessoas mais velhas que, por exemplo, tem dificuldades com a informática.

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  2. Olá, Daniel. Em regra, sim! O servidor público geralmente é bastante resistente à mudanças, seja por hábito, seja para se isentar de responsabilidades. Algumas vezes a resistência à mudança vem de cima, devido à centralização de poder. Líderes centralizadores exigem que a maior parte das decisões passem por eles, impedindo que outros membros da equipe adotem práticas diferentes. Tudo isso somado gera um cenário engessado e com procedimentos desnecessários. Há algum tempo tive uma experiência pessoal que retrata bem essa circunstância: Estive no INSS e solicitei um histórico do tempo de contribuição e aguardei por 8 meses até que o mesmo fosse emitido. Como justificativa, os funcionários do atendimento alegavam que dependia do analista. Algo que deveria ser emitido no mesmo dia demorou oito meses devido à centralização de atributos e à burocracia.

    Outro ponto de reflexão é o seguinte: Será que a solução está na modernização do sistema ou TAMBÉM é necessário que haja mais funcionários públicos qualificados? Imagine um ótimo sistema com executores despreparados... Talvez a mudança na administração pública tenha que começar em camadas mais profundas do que imaginamos. Talvez...

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  3. Olá Daniel,

    Eu acho que não, pelo contrário. As pessoas mais novas no serviço público, os concursados mais recentes e quanto mais qualificados são, já nem suportam mais essas tarefas tão mecanizadas, tão robotizadas, esses ‘discursos’ tão ridiculamente arcaicos. Se houver resistência ainda, são das pessoas mais idosas, com mais tempo de serviço, que são mais avessas a mudanças, que tem mais dificuldade com informática, com novas maneiras lidar com as pessoas, novos tipos de comunicação. Pode ser que haja uma certa resistência também nas níveis mais baixos em termos salariais. Essas pessoas podem ter um pouco mais de dificuldade de se adaptarem a certas mudanças e de terem um pouco mais de iniciativa e autonomia também.

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  4. Daniel, interessante questionamento e as respostas dos colegas. Entendo o que a Paula traz, e pode ser muito verdadeiro, porém creio que a cultura organizacional do setor público é muito forte. Assim, ainda creio que existam sim muitos agentes que ficam agarrados à forma antiga de operacionalizar as atividades, muitas vezes se agarrando às ideias do sistema burocrático e mecânico. Nesse sentido, novos agentes podem causar disrupções momentâneas e pontuais nessa dinâmica, porém é preciso que haja uma cultura organizacional que inspire a inovação e as mudanças, caso contrário, agentes individuais não conseguirão operar e manter as novidades vivas por muito tempo.

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  5. Olá Daniel,

    se a entrega de determinado órgão for um serviço padronizado e que os requisitos de entrada forem bem simples, talvez o modelo burocrático não seja o problema. Antes de querer mudar o sistema, deve-se atentar no que o órgão pretende apresentar e quais os parâmetros de qualidade se quer atingir no etapa do planejamento estratégico. Se, para atender o cliente, for necessário a mudança da estrutura organizacional, fatores como a liderança, a definição de responsabilidades e novos processos, além da busca de melhorar a motivação dos servidores são critérios a serem considerados.

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