Aula 4 - Beatriz
A obra Imagens da Organização de Gareth Morgan (2006) aborda oito metáforas organizacionais. Citaremos aqui a metáfora “organismos”, que vê as organizações como sistemas sociais onde os indivíduos se relacionam e alteram o contexto, assim como são impactados por este. Essa metáfora reforça o conceito que os objetivos organizacionais só podem ser plenamente alcançados com um capital humano engajado e para isso, os objetivos das pessoas precisam ser compatíveis com os da organização.
A gestão pública atual aplica essa metáfora em todos os seus órgãos de diferentes formas. Como exemplo, cita-se o Incentivo à Qualificação dos Servidores oferecido pela Universidade Federal de Goiás aos seus servidores. Obviamente, que um incentivo de qualificação atrelado ao incentivo financeiro promove maior engajamento do servidor, mas também contribui com o organismo que possui um corpo técnico ainda mais qualificado, portanto, os benefícios são mútuos.
Mesmo assim, percebe-se que uma parcela das pessoas buscam o incentivo à qualificação visando apenas a vantagem financeira e não se estimulam a aplicar em seu dia a dia os conhecimentos adquiridos pela capacitação a fim de contribuir com o desenvolvimento do órgão. Na visão de vocês, quais as razões organizacionais que podem levar as pessoas a terem esse tipo de comportamento?
Beatriz,
ResponderExcluirAcredito que o principal motivo pelo interesse apenas financeiro pode ser divido em duas vertentes. Uma é que em muitos lugares, a sua titulação/qualificação não é levada em conta. O gestor não tem interesse em aproveitar os recursos humanos que ele tem a sua disposição e consequentemente o servidor não se sente motivado a aplicar o novo conhecimento adquirido.
O outro ponto é cultural. O fator de querer levar vantagem em tudo. Conheço pessoas que fizeram uns "cursos" a distância onde você paga e no dia seguinte já recebe um certificado de conclusão. Esse ultimo ponto pode até ser consequência da desvalorização do funcionário pelo gestor que não vê motivo em se esforçar para aprender algo que não vai ser utilizado.
Beatriz, acho muito importante o incentivo à qualificação dos funcionários, mas quando o conhecimento adquirido não ajuda em nada aquela organização isso pode ser visto como um gasto e não como um investimento. Tendo a concordar com o Daniel, um dos motivos das pessoas não aplicarem no seu dia a dia o que foi aprendido está ligado ao gestor não querer aproveitar aquele conhecimento adquirido pelo servidor, o que desestimula. Outro motivo pode ser a questão que a educação, em sua maioria, está mais ligada a conhecimentos teóricos que muitas vezes os aprendizes não conseguem colocar em prática.
ResponderExcluirOlá Beatriz,
ResponderExcluirAcredito que as respostas devem ser buscadas sempre na organização. É a visão organizacional que valoriza, ou não, o papel do engajamento e iniciativa das pessoas. Me parece interessante refletir sobre o que a organização espera de seus servidores qualificados. Por outro lado, é interessante também pensar sobre qual é o papel do conhecimento, dentro da organização, nas tomadas de decisão.
Olá Beatriz, acredito que está disfunção no processo de qualificação está enraizada na cultura de diversas organizações públicas, por exemplo, para ocupar os cargos de direção o principal requisito é político e não técnico, além disto, é raro existir qualquer tipo de checagem/feedback dos gestores sobre os resultados práticos obtidos das qualificações, geralmente ficando a critério do servidor tentar ou não convencê-los de sua aplicação. Neste cenário os servidores dão preferência pelo retorno financeiro e a administração pública perde a oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos pelo seu capital humano.
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ResponderExcluirOlá Beatriz,
ResponderExcluirAcho que isso é uma questão cultural. As pessoas, servidores ou cidadãos comuns, ainda têm a nítida impressão de que o governo ou os órgãos tem obrigações para com elas, mas elas não tem obrigação nenhuma para com o governo ou com os órgãos. E tem a ideia de que o que é público é pra ser aproveitado e nunca retornado. Essa cultura ainda é muito forte no Brasil, a meu ver. Tudo o que o brasileiro puder aproveitar e não doar, ele o faz, não generalizando, é claro. Por outro lado, eu concordo também com o Daniel que realmente não há motivação, e quanto mais tempo o servidor tem de serviço público, menos ele acredita na mudança.